No TCU

Ministro que mandou suspender propaganda do pacote anticrime já foi alvo da Lava Jato

09/10/2019 09h30 - Atualizado em 09/10/2019 09h32
Foto: Divulgação

Em maio deste ano, Edson Fachin arquivou suspeitas de caixa dois em relação ao ex-senador e atual ministro do TCU, Vital do Rêgo, que mandou hoje suspender imediatamente a propaganda do pacote anticrime.

A parte que envolve indícios de corrupção e lavagem de dinheiro foi remetida à Justiça Federal do Paraná.

O inquérito foi aberto em maio de 2016.

São muitos os fatos que envolvem Vital do Rêgo, alvo de mandado de busca e apreensão em operação da Lava Jato três anos atrás.

Em delação, o ex-senador petista Delcídio do Amaral disse que Vital pediu propina para impedir convocações de empreiteiros na CPMI da Petrobras, em 2014, quando o hoje ministro era senador e presidia a comissão — em dezembro daquele ano, a então presidente Dilma Rousseff o indicou para o TCU.

Léo Pinheiro e outros executivos da OAS confirmaram repasses.

Gustavo Xavier Barreto, da Andrade Gutierrez, também relatou que participou de um encontro com a presença de Vital em que ficou claro que a CPMI não poderia “prejudicar as empreiteiras”.

Raquel Dodge, ex-procuradora-geral da República, escreveu o seguinte em ofício ao STF:

“Registre-se que o repasse de valores espúrios a Vital do Rêgo, travestido de doação eleitoral oficial, foi usado para camuflar a real intenção das partes, tratando-se de nítido negócio simulado para encobrir a formalidade de transferência de recurso, que não era outro senão adimplir a vantagem indevida e viabilizar a blindagem da convocação dos executivos à CPI da Petrobras. Com efeito, a doação oficial em tais casos pode configurar mecanismo de dissimulação para a o repasse de dinheiro ilícito, fruto de corrupção, o que caracteriza o delito de lavagem de capitais. A Justiça Eleitoral foi apenas o instrumento utilizado para o fim de dissimular a origem espúria e criminosa.”

Depoimentos indicam pagamentos de 3 milhões de reais a Vital por meio de celebração de contratos fictícios. Por meio de doação oficial, o chamado caixa um, ele teria recebido mais 1 milhão de reais.

O ministro nega tudo.

Fonte: O Antagonista

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