Na Assembleia Legislativa de São Paulo

Janaina Paschoal bate boca com líder do PSL na Alesp: 'Pau mandado do PT'

27/11/2019 15h07 - Atualizado em 27/11/2019 15h11
Foto: Divulgação

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL), recordista com mais de 2 milhões de votos na última eleição, e o deputado Gil Diniz, líder do PSL e aliado da família Bolsonaro, bateram boca no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo na noite de terça (26), para espanto dos colegas.

Janaina interrompeu a fala de Gil na tribuna e, exaltada, acusou-o de desrespeitar a bancada do PSL, a maior da Casa, com 15 deputados. "Vossa excelência está desmoralizando seus colegas de partido."

A deputada também o acusou de alinhamento com o PT. "Vossa excelência está obedecendo o PT, quem está mandando na bancada é o Barba [Teonílio Barba, líder do PT], que brincadeira é essa?", questionou.

Janaina ainda chamou Gil de "pau mandado do PT". Gil reagiu: "Quer ser líder do PSL, pega o voto da bancada e venha ser líder".

Visivelmente exaltada, Janaina precisou ser acalmada por outros deputados. A sessão então foi suspensa por cinco minutos pelo presidente da Assembleia, deputado Cauê Macris (PSDB).

O motivo da discussão aparentemente foi a discordância em relação ao projeto que aumenta em 5% o salário dos policiais, mas não ficou claro qual parte da fala de Gil irritou a deputada. Os parlamentares ainda não comentaram a briga na manhã desta quarta-feira (27).

Janaina e Gil, que rivalizam no protagonismo da bancada do PSL, divergem em muitas votações na Casa. A deputada adota posição independente do governo João Doria (PSDB) e de sua própria bancada. Ela é defensora das candidaturas avulsas, sem a necessidade de partido, o que hoje não é permitido no Brasil.

Gil, por sua vez, nunca exigiu que os colegas de bancada votassem como ele, deixando-os livres para votar como preferissem. Ligado às polícias, ele costuma ser crítico ao governo Doria e é alinhado à família Bolsonaro. Por isso, pretende deixar o PSL rumo à Aliança Pelo Brasil, novo partido do presidente.

O Ministério Público de SP investiga uma suspeita de "rachadinha" de salários no gabinete de Diniz, após denúncia de um ex-funcionário do deputado, que nega as acusações.

Nesta segunda, já passava das 22h30 e os deputados haviam acabado de aprovar, por 56 votos a 21, um aumento de 5% concedido pelo governador Doria aos policiais militares.

O reajuste salarial proposto foi duramente criticado pelos deputados da segurança pública, inclusive Gil, por não satisfazer a demanda dos policiais.

Doria prometeu em sua campanha que, até o fim do mandato, a polícia paulista teria o melhor salário entre os demais estados do país. Para que isso seja possível, as entidades representantes de policiais calculam que o aumento anual teria que alcançar cerca de 20%.

Em protesto, Gil e outros cinco deputados do PSL ligados à segurança pública votaram contra o aumento. Segundo o deputado, policiais lhe disseram que preferiam continuar fazendo bicos a ter um aumento de cerca de R$ 150 no salário.

Janaina e mais quatro deputados do PSL votaram a favor. Outros quatro membros da bancada do partido declararam obstrução à votação. A maior parte dos demais votos "não" ao projeto veio das bancadas do PT e do PSOL.

"Pra mim não passa de mentira, de lorota, de firula", discursava Gil a respeito da promessa de Doria de melhoria salarial antes de ser interrompido por Janaina. "Eu entendo quando falam de bom coração, é melhor 5% do que nada", disse em relação ao argumento dos colegas que votaram sim.

Gil falou ainda que os policiais tinham expectativa de que seriam reconhecidos agora que teriam uma bancada de 15 deputados na Assembleia. E voltou a criticar Doria, afirmando que a Assembleia não deve aprovar todos seus projetos.

"Desde 15 de março [início da legislatura], o governo vence todas. [...] Não tem como continuar batendo carimbo para o governador, aprovando a toque de caixa seus projetos", disse Gil.

De repente, Janaina foi ao microfone. "Eu vou falar. Ele não está respeitando a gente. Vossa Excelência já votou a favor do governador", disse ela, lembrando que Gil já deu voto "sim" a outros projetos do tucano. Em seguida, o acusou de alinhamento com o PT, que também votou contra o aumento.

"Onde eu não estou te respeitando?", "baixe o tom" e "não lhe devo satisfação", devolveu Gil da tribuna, enquanto o presidente da Assembleia pedia calma aos deputados.

Após o intervalo da sessão, Gil seguiu seu discurso, afirmando que seu líder não é o PT, mas o presidente Jair Bolsonaro.

"Quem quer dar voo solo, que dê, mas não venha me cobrar que eu não devo satisfação. Não fui eleito na aba de ninguém. Não pago simpatia para ninguém, tendo 20 mil votos ou 2 milhões", concluiu.

Fonte: Folha de S.Paulo 

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