Economia

Indústria cresce 7,0% em maio após dois meses de queda com a pandemia, diz IBGE

02/07/2020 10h05 - Atualizado em 02/07/2020 10h17
Foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini

A produção industrial nacional avançou 7,0% em maio de 2020 frente a abril. O crescimento, no entanto, foi insuficiente para reverter a queda de 26,3% acumulada nos meses de março e abril. Com isso, o setor atinge o segundo patamar mais baixo desde o início da série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, sendo que o menor nível foi registrado em abril deste ano. Os dados, divulgados hoje (2) pelo IBGE, refletem os efeitos das medidas de isolamento social para controle da pandemia de Covid-19.

“A partir do último terço de março, várias plantas industriais foram fechadas, sendo que, em abril, algumas ficaram o mês inteiro praticamente sem produção, culminando no pior resultado da indústria na série histórica da pesquisa. O mês de maio já demonstra algum tipo de volta à produção, mas a expansão de 7,0%, apesar de ter sido a mais elevada desde junho de 2018 (12,9%), se deve, principalmente, a uma base de comparação muito baixa. Mesmo com o desempenho positivo, o total da indústria ainda se encontra 34,1% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011”, explica André Macedo, gerente da pesquisa.

Em comparação com maio de 2019, a produção teve queda de 21,9%, sendo o sétimo resultado negativo subsequente e a segunda queda mais elevada desde o início da série histórica. Na soma dos últimos 12 meses, a queda foi de 5,4%, a mais elevada desde dezembro de 2016 (-6,4%). No ano de 2020, a indústria já acumula recuo de 11,2% até maio. “Cabe ressaltar que, até fevereiro, já havia retração, mas era de apenas 0,6%”, destaca Macedo.

Entre os segmentos de atividades, o crescimento frente ao mês anterior foi generalizado, alcançando todas as grandes categorias econômicas e a maior parte (20) dos 26 ramos pesquisados. “As atividades foram impulsionadas, em grande medida, pelo retorno à produção (mesmo que parcialmente) de unidades produtivas, após as interrupções da produção ocorridas em várias unidades produtivas, por efeito da pandemia”, pontua André Macedo.

A influência positiva mais relevante foi assinalada por veículos automotores, reboques e carrocerias (244,4%), que interrompeu dois meses seguidos de queda na produção e marcou a expansão mais acentuada desde o início da série histórica, mas ainda assim se encontra 72,8% abaixo do patamar de fevereiro último. Na comparação entre maio de 2019 e maio de 2020, essa atividade exerceu a maior influência negativa (-74,5%) na formação da média da indústria.

Outros destaques positivos na comparação com o mês anterior foram os segmentos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (16,2%), que voltou a crescer após acumular perda de 20,0% em três meses consecutivos de taxas negativas, e bebidas (65,6%), que eliminou parte da redução de 49,6% acumulada nos meses de março e abril de 2020.

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