Jogadores sendo ameaçados

Selvageria sem limite. Filho, de dez anos, de Fagner é ameaçado

15/09/2020 14h51 - Atualizado em 15/09/2020 14h59
Foto: Agência Corinthians
A impunidade estimula vândalos, criminosos. Filho de 10 anos de Fagner ameaçado

A impunidade protege criminosos infiltrados nas organizadas. Ameaças, intimidação aos jogadores e familiares do Corinthians. É a vitória do medo

Há dez dias, cerca de 40 homens se aproveitando das máscaras obrigatórias na pandemia para esconderem suas identidades, invadiram o CT do Figueirense.

De acordo com o técnico Elano, vários estavam armados. Eles chutaram, esmurraram, ameaçaram de morte os jogadores pela péssima campanha do time na Série B, na zona do rebaixamento.

Vários atletas ficaram feridos.

Depois desses dez dias, a polícia não conseguiu ainda prender nenhum dos agressores. Sequer reconheceu um.

A óbvia desconfiança é que eles faziam parte à parte radical de organizadas.

A impunidade serve como incentivo.

Tanto que os jogadores do Figueirense seguem reclamando que estão sendo ameaçados nas redes sociais e nos seu telefones particulares.

E, não por acaso, houve no domingo, as ameaças e xingamentos de membros das organizadas aos jogadores do Corinthians, no aeroporto de Cumbica, após a derrota para o Fluminense.

Cássio foi o mais xingado, humilhado.

Vários jogadores tiveram de correr do saguão do aeroporto para o ônibus do clube, com medo de serem agredidos.

O que já tinha sido lamentável chegou a níveis vergonhosos.

Foi rompido o mais básico elo.

A família dos atletas.

O filho de 10 anos de Fagner recebeu a seguinte mensagem no Instagram.

"Fdp...

"Mais três pontos na conta do seu pai otário.

"Vamos invadir sua casa hoje. É melhor seu pai não aparecer aí. Jogo ganho e o otário faz aquilo."

A mensagem chegou para Henrique, às 21h43 da última quinta-feira, logo após a derrota para o Palmeiras.

"Esse tipo de mensagem que o meu filho recebe, absurdo. Estou indignada. Ele é uma criança de 10 anos... e não merece ler isso. Ele tem a inocência e o medo de uma criança, então peço como mãe dele que parem de mandar isso pra ele. Se não terei que tomar outras providências. Grata, Bárbara", rebateu a esposa de Fagner e mãe de Henrique.

O jogador ficou revoltadíssimo.

"Peço que respeitem os meus filhos. Uma criança tem que ser criança e não ser obrigada a (ler) esse tipo de mensagem absurda. E só uma coisa: na próxima tomarei as medidas legais. Que tenha sido a última porque na próxima eu irei até o fim."

Ou seja o jogador desabafou, mas de prático, não fez nada. Não procurou a polícia especializada em Internet.

Janara, mulher de Cássio, também foi xingada, ameaçada e recebeu inúmeras mensagens nas suas redes sociais contra o goleiro.

A esposa de Jô escreveu uma longa mensagem pedindo paz ao torcedores.

Há um medo das organizadas espalhadas pelo Brasil.

Ao contrário do Figueirense, que procurou a polícia por conta das agressões, o Corinthians, não havia tomado providência legal alguma, pelo desembarque em Cumbica e nem diante das ameças nas redes sociais, até ontem à noite.

Os jogadores corintianos que já ficaram com os salários atrasados por três meses, seguem expostos e muito preocupados.

Vários deles procurando jornalistas amigos para que os ajudem, peçam providências das autoridades, dos sindicatos.

Mas o primeiro passo tem de ser da diretoria corintiana.

O problema é que ela é umbilicalmente ligada às organizadas.

Daí o entrave.

Onde os vândalos e covardes infiltrados se aproveitam... 

Fonte: esportes r7

Veja Também