Artigo/opinião

Se subir pro STF estamos livres!

16/04/2021 16h20 - Atualizado em 16/04/2021 16h21

"Quero dizer para vocês que, de fato, Roraima é a capital mais distante de Brasília, mas eu garanto para vocês que essa distância, para nós do Governo Federal, só existe no mapa. E aí eu me considero hoje uma roraimada, roraimada, no que prova que eu estou bem perto de vocês." (Dilma Russef)

Se fossemos usar uma metáfora para o que temos visto em relação aos processos do ex presidiário Lula, seria aquela de que, para meia dúzia de Ministros a lava jato matou a cobra e escondeu o pau. Em tais ocasiões, o pau é que importa e não a cobra. Nunca na história do Brasil as coisas ficaram tão evidentes, mas há ainda quem usa tapa, por puro odinho de Bozo. O STF não incentiva aglomerações, a missão dele sempre foi a de libertar.

Por isso eles soltaram André do Rap, Flordelis, Chico Rodrigues, Renato Fique, Delúbio Soares, Paulo Roberto Costa, João Santana, André Vargas, Léo Pinheiro, Pedro Correia, Gedel, Jacob Barata, Chaaya Moghrabi, Garotinho. Eles fazem aglomerações apenas em suas gavetas, dos processos de Aécio, Serra, Alckmin, Mantega, dentre outros de interesse e repercussão nacional.

Os Ministros do STF não suportam aglomerações de tantos pobres inocentes e inofensivos cidadãos, por isso mandam prender somente quando há fumaça de crítica contra eles, o perigo ou a ameça da suas mentiras, utilizando-se de conveniência da instrução particular deles. O que é mais interessante no conjunto dessa obra toda, é que somente três ou quatro escritórios de advocacia conseguem a fundamentação para operarem tais milagres junto ao STF. O certo é que os Ministros passam, aposentam-se e mudam-se para a Europa. O próprio Bolsonaro passa, tudo passa e o fardo sempre fica nas costas da população. Só uma coisa passa e tem que voltar, o inocente Luis Inácio Lula da Silva.

Aquela profecia da série O Mecanismo está sendo agora cumprida. Meio que tardiamente, mas não falhou. Quem não lembra, quando em uma das cenas o doleiro e operador dos esquemas gritava de uma das celas: "Se subir pro STF estamos livres! Livres! Lives!". E não somente isso, confessou que seu advogado era o Ministro da Justiça, que à época era o militante José Eduardo Cardozo. Hoje é ficção. Fico impressionado como as percepções mudam tão rapidamente na nossa nação tupiniquim. Como dizem hoje em dia: "O golpi tá aí, cai quem quer!". Aquele famoso dizer aristotélico: "Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder." Ele agora faz todo sentido. Até alguns jornais atestam tudo isso, com a demência e sandice cotidiana de seus editores. Contra Bozo, vale tudo!

A verdade é que entre o certo e o errado não pode existir vida no meio. Há quem diga que existe um extremismo de direita e esquerda. Os psdebistas, antes rotulados de direita, agora são centro. Aqui não existe padrão, todos os partidos flutuam e o povo cai sempre no conto do vigário. Eles se entrelaçam sempre que necessário. É isso! Pobre de Direita e rico de esquerda são conceitos chulos. O que muitos - não digo todos - defensores do atual Governo querem e defendem, não parte apenas do prisma econômico, mas sociológico. O pano de fundo de tudo isso é tentar conservar valores. Só isso! Tentar melhorar a sociedade, fortalecer a instituição familiar. Rever a imposição de gostos, incentivar a religião, equilibrar as relações de trabalho, rever a produção cultural e educacional que sempre foi e é enviesada.

O mundo está descambando numa ladeira sem freios e há quem não se importe, não tenha mais fé, princípios e ética. Estamos regressando e a inversão de valores já é uma realidade cotidiana, tal qual tomar água pra matar a sede. O Brasil precisa ser recolonizado, pois aqui não somos uma nação, somos muitas nações. Vivemos em vários grupos étnicos. Aqui temos a etnia do próprio umbigo, do meu pirão primeiro, do antes ele do que eu, do malandro é malandro e mané é mané, do se tá difícil pra malandro imagina pra os otários, do em terra de malandro rainha usa boné, da etnia soberana do rouba mas faz. É triste! Mas é a realidade de nossa nação tupiniquim.

Por fim, diria que nosso país pode até parecer uma nação, mas não é! Aqui não falamos a mesma língua. Antes termos ficado com o nome de Ilha de Vera Cruz, até porque o "Brasil" do pau oco não significa nada. Ou mudamos logo para Petrobrás, quem sabe? O certo é que aqui não se pensa no coletivo, muito menos no amanhã, tudo é para agora ou para as próximas eleições. Como diria o antropólogo Darci Ribeiro, aqui somos vários brasis. Cada localidade com seu modus vivendi. O que se fala lá fora vale mais do que se berra aqui dentro. A grama do mundo sempre vai ser mais verde que a nossa. E para finalizar, aproximando-se um pouco da metáfora, faço uma singela comparação. Somos um barco a deriva, que nunca naufragará, mas também não chegaremos a lugar algum.

Por Mário Sérgio Melo Xavier 

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