Artigo/opinião: No Brasil é errando que se erra!

30/04/2021 15h25 - Atualizado em 30/04/2021 15h28
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No Brasil é errando que se erra!

Uma boa parcela da população brasileira carrega a memória no bolso e no estômago. Quando recebe algo, esquece do passado. Quando come, se dá por satisfeito e é assim que a velha e repugnante estratégia política domina o país. Há pessoas que evitam até tocar em determinado assunto, há outros que o fazem por conveniência profissional, alguns já até esqueceram e há quem se recusa a esquecer, como eu.

Há pessoas que conseguem lembrar do que o atual Presidente falou em 1985, lembrar de cada fato de 1964, dos Anões do Orçamento, do Caso PC, do Plano Collor, e isso é muito salutar e admirável, pois um país sem memória é um povo sem história e um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado. Mas infelizmente o que o presente tem nos ensinado é que há casos que devem ser esquecidos.

É por isso que hoje tem muita gente aí que evita lembrar que a Lava Jato dissecou todo o esquema de corrupção nacional de vários partidos e liderado pelo PT, durante os governos Lula e Dilma, envolvendo grandes empreiteiras, estatais, refinarias, empresas de comunicação e milhares de empresas de fachadas. Falando nisso, é inevitável não lembrar de nomes como: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, UTC, Engevix, Mandes Júnior, Diário do Grande ABC, Alstom, Sete Brasil, JBS, BTG Pactual, dentre outras tantas que se fosse citar tomariam todo o texto.

É preciso a gente fixar na memória que tudo que foi investigado ficou “provado” e conhecido mundialmente como o maior esquema de corrupção do universo. E isso porque as investigações se limitaram apenas a nossa Petrobrás. Se fôssemos fazer uma correlação das mesmas empresas envolvidas nos esquemas do Petrolão com aquilo que nunca foi e nem será “investigado”, não teria universo para caber tanta corrupção. Há de supor que o mesmo “balaio de gato” ocorreu durante o Programa dos Governos petistas, o chamado PAC. Ele iniciou no 1 e ainda bem que parou no 2.

Tais programas, em tese, visavam estimular o crescimento da economia brasileira, investindo em obras de infraestrutura, portos, rodovias, aeroportos, geração de energia, hidrovias, ferrovias, porém como ficou evidenciado a posteriori, também visava surrupiar o erário e promover a manutenção eterna do Poder. O custo de tudo isso para o Brasil foi e seria enorme, visto que até hoje há muitas evidências que o dinheiro de tais esquemas estão escondidos em republiquetas e sendo jogados aos poucos para os pombos famintos aqui do Brasil.

Não bastasse o PAC, esta mesma trupe barra pesada, que possuía até escritório particular para despachar propinas, foram correr atrás de sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo de futebol aqui no Brasil. Fomos sorteados e contemplados a usar naquele momento uma calça de veludo na frente e ficar com a bunda de fora. Quem não lembra daquele dia em Zurique, onde Lula comemorou aos pulos e berros ao lado de Sérgio Cabral, Ricardo Teixeira e Joseph Battler. Ironicamente, destes personagens, o ex presidente Lula foi meio que na marra para a cadeia, já está livre e os presidentes da CBF e da FIFA foram banidos do futebol.

Mais tarde, em Copenhague, mais brindes! Lá estavam Lula, Carlos Nuzman, Sérgio Cabral e Eduardo Paes comendo lagostas e comemorando as Olimpíadas. Conseguem imaginar a farra e a felicidade das empreiteiras, do Governador, do Prefeito e principalmente da imprensa? Ironicamente, mais uma vez, o ex-presidente do COB foi deposto de seu emprego de forma vergonhosa, o agora prefeito do Rio ainda escapa de alguns processos e o ex-governador vai apodrecendo na cadeia.

O esquema de amarrar as empreiteiras e as empresas de comunicações para dar suporte publicitário nos Governos petistas deram certo e seria até um pecado deixar escapar da nossa memória as obras feitas em países onde os líderes eram “amiguinhos” ideológicos do PT e de Lula, mas que foram financiadas com o nosso suado dinheiro. Centenas de contratos sem licitação para a Odebrecht, na maior parte dos casos. Em resumo, beneficiaram Angola, Argentina, Venezuela, Cuba, República Dominicana, dentre outros.

O avalista desse escárnio é o governo brasileiro, ou seja, o contribuinte, que paga o lucro da empresa e a dívida dos países que certamente não vão pagar. Conforme levantamento do BNDES em 2019, na chamada operação Caixa Preta, revelou-se em auditorias que os prejuízos por inadimplências de alguns países já beiravam a casa dos 15 bilhões. Pode parecer até pouco, tendo em vista que durante os rombos deixados pelos Governos petistas, nos acostumamos a achar que desviar milhões é fichinha.

É muita corrupção pra esquecer da noite para o dia assim, e ao que parece, ela era organizada e ainda é “resistente”, abrangente e bem aparelhada, pois envolve autoridades espalhadas por todos os poderes e instituições, grandes empresas de variados ramos, além ainda da imprensa mercenária. Precisaríamos de no mínimo umas 100 Lava Jatos para investigar os últimos 20 anos dos governos “democráticos” no Brasil.

Infelizmente, o que fica cada vez mais claro é que a justiça “política” e seus escolhidos a dedo, nunca vão permitir que a polícia e a justiça “escolhida por via de capacidade”, possam fazer o que deve ser feito. Vivemos uma dicotomia onde a prisão só atende aos três “pês”: pobre, preto e puta, sendo esta chula expressão uma realidade. E a prisão para os “políticos”, petistas e poderosos, só podem prosperar na ficção.

Por fim, a imprensa resolveu encurtar a memória, não vemos nenhuma fagulha de arrependimento por parte de quem deixou o desastre, muito menos uma mudança de postura do eleitorado que continua “defendendo” e elegendo os corruptos. Pelo contrário, a imprensa sedenta por dividendos públicos vai conduzindo a massa de manobra para voltarmos ao olho do furacão.

A operação Lava Jato, já praticamente extinta numa canetada do STF e um Presidente fanfarrão, mas até agora conduzindo um Governo sem escândalos de corrupção, são a bola da vez e foram transformados em verdadeiras ameaças. Ficamos todos nós, indistintamente, sempre no prejuízo — e sem o menor benefício da velha máxima que “é errando que se aprende”. No Brasil, é errando que se erra, e perde seu tempo quem imagina que a experiência adquirida com os erros poderá trazer algo para nos levar aos acertos.

Mário Sérgio Melo Xavier 

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